quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O legado de Greg Moore (parte final)

A temporada de 1999 começou promissora para Greg, ao vencer em Homestead, sua quinta e última vitória. Ele liderou nas três primeiras corridas, porém a baixa competitividade dos Mercedes e os fracos resultados obtidos no restante das corridas novamente garantiram que ele não iria ser campeão. Agora, com a altíssima multa rescisória extinta, ele começou a procurar outras equipes. Então, no fim de semana da corrida de Houston, Greg anunciou que enfim tinha assinado para 2000 com uma das principais forças da Indy, a Penske. Infelizmente, Moore nunca cumpriu esse contrato.

Durante a última corrida do ano, no traiçoeiro oval de Fontana, o carro de Moore derrapou na saída da curva dois, a mais de 360 km/h, na décima volta, capotando várias vezes e chocou-se contra o muro de proteção, ficando despedaçado. Ele foi levado de helicóptero para o hospital Loma Linda de Los Angeles, com graves ferimentos na cabeça, onde morreu. Essa seria sua prova de despedida da Forsythe, após quatro temporadas.

Greg corria com um dedo fraturado por consequência do acidente sofrido na sexta-feira anterior. A motoneta que pilotava na área dos boxes foi atropelada por uma caminhonete, fraturando um dedo e mais 15 pontos na mão direita. Não pôde participar dos treinos de classificação, com a mão envolta num saco de gelo. Sua presença na prova estava ameaçada. Roberto Moreno foi chamado para substituí-lo. No fim foi liberado, após um teste de seis voltas na manhã de domingo. Ele largou na última posição no grid. Quando se acidentou, já era o décimo quinto.

Durante a entrevista coletiva após a corrida, os pilotos e dirigentes não disfarçavam a emoção pela perda de um dos mais queridos pilotos da Indy em sua história. Ninguém estava interessando com o resultado final da corrida, muito menos do campeonato, vencido pelo colombiano Juan Pablo Montoya, da Ganassi, com o quarto lugar em Fontana.

Nunca se soube a verdadeira razão do acidente. A hipótese mais aceita é que a curva 2 teria resíduos de graxa e óleo das corridas preliminares, provocando a tragédia. Os engenheiros da Forsythe, juntamente com os dirigentes da Cart, disseram que não havia relação alguma entre a fratura no dedo indicador da mão direita de Moore com o acidente. A telemetria do carro não acusara falha mecânica no Reynard Mercedes nos momentos anteriores a saída de pista.

Em sua homenagem a finada Champ Car instituiu em 2000 uma premiação intitulada Greg Moore Legacy Award (Prêmio Legado de Greg Moore), entregue para pilotos que se destacassem em ousadia e arrojo, características sempre atribuídas ao canadense.

Dedicado a Fabio "Hyder" Azevedo e ao Duhílio de Menezes.

Histórico do Piloto
1999 - Equipe Forsythe, 10º colocado, 1 vitória, 1 pole, 97 pontos.
1998 - Equipe Forsythe, 5º colocado, 2 vitórias, 4 poles, 141 pontos.
1997 - Equipe Forsythe, 7º colocado, 2 vitórias, 111 pontos.
1996 - Estréia na Fórmula Indy, equipe Forsythe, 9º colocado, 84 pontos.
1995 - Campeão da Indy Lights, 10 vitórias, 7 poles.
1994 - Indy Lights, 3º colocado, 3 vitórias, 2 poles.
1993 - Indy Lights, 9º colocado.
1992 - Campeão da Fórmula Ford 2000, 4 vitórias, 4 poles.
1991 - Fórmula Ford 1600, 4º colocado, 1 vitória, duas poles.
1990 - Campeão norte-americano de Kart.
1989 - Campeão norte-americano de Kart.
1985 - Começa a correr de Kart.

Estatísticas na Fórmula Indy (Cart)
GPs disputados: 72
Vitórias: 5
Pódios: 17
Poles: 5

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O legado de Greg Moore (parte 3)

Após outra excepcional temporada em 1998, onde ele demonstrou ser um dos poucos pilotos capazes de desafiar o italiano Alessandro Zanardi, principalmente na primeira metade do campeonato. No restante do ano seu desempenho foi prejudicado pela pouca competitividade do seu motor Mercedes. O motor alemão sofreu com falta de potência e durabilidade na maior parte do ano, prejudicando as chances de título de Greg. Além disso, ele se envolveu em alguns acidentes, o que lhe custou pontos preciosos na reta final da competição.

Seu grande momento correu na etapa do Brasil. Por 41 voltas, Moore e Zanardi travaram um duelo emocionante pela vitória, considerando um dos grandes momentos nos quase 100 anos de história da Indy. Quando faltavam cinco voltas para o fim, o canadense, utilizando-se da presença do retardatário Arnd Meier, tomou a primeira posição que era de Zanardi com um lance audacioso. Moore atrasou a freada em 15 ou 20 metros, enquanto Zanardi ficou em cerca de dez metros. Eles estavam a 335 km/h, rumaram para curva 1 com aproximadamente 180 km/h e Greg saiu na frente, mesmo estando no lado externo do traçado, cheio de detritos e com os pneus bem gastos. Surpreso, Zanardi travou as rodas, quase batendo com seu pneu dianteiro direito no traseiro esquerdo de Moore. Assim ele ruma para vitória sob aplausos fervorosos um público brasileiro em completo êxtase.

Outra conquista épica ocorreu em julho no oval de Michigan na corrida que foi considerada a melhor do campeonato, também lembrada pela morte de três pessoas em virtude de um pneu que se desprendeu em alta velocidade do carro do mexicano Adrian Fernandez. Greg superou por 0s259 a dupla da Ganassi formada por Zanardi e Jimmy Vasser usando a inteligência. Na penúltima volta, notou o efeito que o vácuo provocado por uma asa redutora de velocidade, que tinha sido tornada obrigatória nos superovais, facilitava as ultrapassagens, deixou Vasser passá-lo para dar o troco na volta decisiva. Funcionou. Moore veio mais embalado para a primeira curva, tomou a liderança, mantendo-se assim nas três curvas finais.

Não foi surpresa para ninguém que antes do fim da temporada a equipe Penske estava interessada em contratar Greg Moore no lugar de André Ribeiro. O brasileiro se mostrou um fiasco ainda maior do que o chassi PC 27, um projeto de John Travis, ex-Lola, que só se destacava pela beleza. Porém Gerald Forsythe, patrão de Greg, não aceitou nenhuma negociação, assegurou que o canadense ficasse em seu time por mais um ano.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O legado de Greg Moore (parte 2)

No ano seguinte, estreava na Fórmula Indy, usando o lendário número 99, o mesmo que usou na Indy Lights, e que virou sua marca registrada. As expectativas de ele ser o vencedor da premiação de Novato do Ano daquele campeonato. Mas não foi o que ocorreu. Moore foi ultrapassado por Alessandro Zanardi na pontuação, perdendo a disputa. Mesmo assim obteve bons resultados, incluindo dois pódios, terminando em nono lugar da classificação geral, com 84 pontos.

Seu excesso de arrojo o fez cometer muitos erros ao longo do ano, estando sempre envolvido em algum acidente, e assim colecionava desafetos entre os pilotos, principalmente entre os brasileiros. O desprezo entre os nossos compatriotas tinha uma boa justificativa: o acidente com Émerson Fittipaldi nas 500 milhas de Michigan. Na largada o canadense forçou uma ultrapassagem sobre Fittipaldi e acabou tocando no Penske do brasileiro, que se chocou violentamente contra o muro do oval. Hospitalizado, Emerson por pouco não ficou paralítico e nunca mais voltou a correr na Indy. A partir de então Greg era acusado de ser o culpado pelo ocorrido.

Uma corrida depois, em Mid-Ohio, mais confusão. Moore prejudicou André Ribeiro, tirando-o da pista na última volta. Na reunião de pilotos, os dois quase se agrediram. Moore só se calou quando Christian Fittipaldi, que depois se tornou um grande amigo do piloto, entrou no bate-boca: "Depois de quase ter aleijado meu tio, é melhor você ficar quietinho...". As críticas mexeram com o jovem piloto, na época com 21 anos, que prometeu amadurecer seu comportamento nas pistas.

Ele cumpriu a risca esse objetivo ao vencer sua primeira corrida no oval de Milwaukee em 1997, aos 22 anos, 1 mês e 10 dias, tornando-se o mais jovem a ganhar uma corrida na Indy até então. Na prova seguinte, nas ruas de Detroit, vence na última volta, graças à pane seca nos carros de Maurício Gugelmin e Mark Blundell, pilotos da PacWest. Termina o ano em sétimo lugar na classificação, com 111 pontos. Greg continuava ousado, porém aprendera a controlar seus impulsos, e os acidentes bizarros ficaram no passado. Então todas as grandes equipes querem tê-lo como piloto.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O legado de Greg Moore (parte 1)

Gregory William Moore nasceu em 22 de abril de 1975 em New Westminster, na província de British Columbia, no Canadá. Quando pequeno ele sonhava em imitar seu ídolo Ayrton Senna e ser uma grande estrela do automobilismo. Ao dar seus primeiros passos nas competições de kart aos 10 anos de idade, sua tenacidade e amor pelo esporte chamaram a atenção das maiores equipes dos Estados Unidos dessa modalidade.

Foi nesse país que ele desenvolveu a sua breve, mas espetacular carreira. Entre 1989 e 1990 foi bicampeão norte-americano de Kart. Em 1991, aos 15 anos, ingressou na Fórmula Ford 1600 sendo o quarto colocado e conquistando uma vitória e duas poles, levando o prêmio de Novato do Ano. Em 1992 transferiu-se para a Fórmula Ford 2000, onde foi campeão com quatro vitórias e quatro poles, e novamente escolhido como o Novato do Ano.

Com apenas 17 anos, Moore ruma para a Fórmula Indy Lights em 1993. Por conta dos reduzidos recursos financeiros, que não possibilitavam o ingresso nas equipes mais estruturadas, foi obrigado a correr com o apoio de sua família, sendo criada assim a Greg Moore Motortsports. Em sua corrida de estréia no oval de Phoenix, Moore chamada a atenção de dirigentes e da mídia especializada a chegar em quinto, após largar em sétimo. Um grande feito para um piloto inexperiente. Terminou o campeonato na nona posição.

Greg continuou sua ascensão na Indy Lights em 1994. Venceu a primeira etapa, em Phoenix, tornando-se, aos 18 anos, no piloto mais jovem a ganhar uma corrida em um campeonato administrado pela Cart. Foram 3 vitórias, 2 poles, além de ser o piloto que liderou no maior número de voltas com 186 no total. E surpreendentemente esses feitos foram conquistados ainda contando somente com a precária estrutura da Greg Moore Motortsports.

Finalmente, Greg consegue um contrato com uma equipe promissora e organizada para 1995, no caso a Forsythe, que naquele ano voltava a disputar a Fórmula Indy com um esquema próprio após dez anos, e que aderiu a Indy Lights, tendo como patrocinador os cigarros Player's, empresa que na época envolvida com a Forsythe em outras categorias de acesso estadunidenses.

Afinal, Moore é campeão com enorme vantagem sobre o vice, o norte-americano Robbie Buhl, que já havia disputado 12 GPs na Fórmula Indy. Greg obteve 242 pontos enquanto Buhl 140 (incríveis 102 pontos de distância). Largou sete vezes na pole position e venceu dez das doze etapas disputadas, recorde de vitórias na categoria, sendo cinco consecutivas (Miami, Phoenix, Long Beach, Nazareth e Milwaukee).

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A pré-temporada está chegando


Daqui a pouco mais de um mês, terão início os primeiros treinos oficiais da pré-temporada da Fórmula Indy 2009. As equipes farão as primeiras voltas no oval Homestead em Miami, Flórida e no circuito Barber Motorsports Park em Birmingham, Alabama.

Em 23 de fevereiro será a vez dos pilotos da Indy Lights, que estarão em Homestead das 09h00 às 17h00, hora local, para o teste reservado aos novatos, enquanto no dia seguinte entre 09h00 e 15h45, terá a presença de todos os pilotos que vão disputar a Indy Lights. Enquanto os pilotos da Indy treinam nos dias 24 e 25 de fevereiro sob iluminação artificial de potentes refletores das 16h00 até as 22h00.

Nos dias 21 a 23 de março, no Barber Motorsports Park em Birmingham, Alabama, acontecerá à segunda sessão de testes coletivos, onde os pilotos se prepararão para os circuitos mistos e os de rua. Na pista de 2,380 milhas eles andarão das 09h00 às 17h00 no primeiro dia e entre 09h00 e 16h00 do dia seguinte. O último dia está reservado para equipes de Indy Lights das 09h00 às 17h00. Pela segunda vez a Indy vai visitar o Barber Motorsports Park, após uma sessão que contou com sete pilotos em outubro de 2007.

"Todos estão prontos para voltar para a pista visando à preparação para a temporada 2009. Pela terceira temporada consecutiva os ensaios para a Indy serão realizados sob as luzes do Homestead-Miami Speedway. É sempre um momento muito aguardado, a oportunidade de medir os progressos realizados durante o inverno" afirma Brian Barnhart, presidente da Indy Racing League.

Barnhart quer reduzir os gastos na Indy. Contudo, não será através da adoção de medidas drásticas. Por isso manterá a opção de testes privados durante a temporada.

A Indy anunciou seu novo regulamento para testes. As equipes poderão realizar seis dias de treinamentos particulares em 2009. A IRL também limitou o número de milhas e a quantidade de pneus disponíveis para cada time, utilizando como referencial a quantidade de pilotos que cada um terá pela temporada.

A novidade mais importante é a concessão de dias adicionais de testes caso ofereçam oportunidades para que pilotos da Indy Lights possam testar. Contribuindo para o maior intercâmbio entre a categoria principal e a de acesso, dando a chance de novos talentos demonstrem suas habilidades aos chefes de equipe da Indy.

Em números, a Fórmula Indy agora permite: a utilização de 18 jogos de pneus, sendo 26 jogos para equipes que tenha um segundo carro; 800 milhas, ou seis dias de testes, como limite, podendo chegar as 1.200 milhas quando a equipe possuir um segundo carro; e cada equipe, se tiver um carro extra, fará jus a mais 200 milhas e quatro jogos de pneus. As equipes que possuírem pilotos novatos terão 400 milhas, quatro jogos de pneus e três dias de testes adicionais. E em relação aos pilotos da Indy Lights para cada 200 milhas com um novato, chegando ao máximo até 600 milhas, a equipe ganha direito a mais 100 milhas de bônus. Não será permitido testar em pista a menos de sete dias de uma prova.

"Nossa política tem por objetivo para 2009 um equilíbrio entre controle de custos e um bom nível de disputa. Com nosso calendário diversificado, composto por ovais curtos e superspeedways, circuitos mistos e de rua, é importante dar as nossas equipes e pilotos a possibilidade de sempre melhorar e maximizar o seu desempenho. Nós também acreditamos que é um grande incentivo para equipes oferecer uma oportunidade para a próxima geração de pilotos da Indy", disse Barnhart.

"Se você olhar para os 13 anos de história da IRL, o nosso lema é a absoluta concorrência na pista. Este plano oferecerá aos novatos, nossos futuros pilotos, a chance de aperfeiçoar suas habilidades e chegar mais preparados para a competição."

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Will Power na Penske


A equipe Penske convocou a imprensa hoje à tarde em Indianápolis para fazer o anúncio oficial de que o australiano Will Power irá tomar o lugar de Hélio Castro Neves na equipe enquanto o brasileiro resolver seus problemas com a justiça norte-americana. A confirmação foi feita horas antes pelo presidente da equipe Tim Cindric.

Cindric contou que o contrato será por tempo indeterminado. Porém existe a possibilidade da equipe rescindir com Hélio mesmo se o brasileiro for absolvido pela justiça norte-americana. "Continuamos confiantes sobre a situação do Castro Neves e ele sabe que tem o apoio toda a equipe. Nós também estamos muito satisfeitos ao acolhermos Power na equipe. Will já provou ser um grande piloto e pensamos que seria o momento certo para sua chegada na equipe Penske", disse. Power vai trabalhar com outro australiano, Ryan Briscoe e com o consultor Rick Mears, tricampeão da categoria e ex-piloto do time.


O piloto de 27 anos tem três vitórias na Fórmula Indy (versão Champ Car), incluindo a na corrida final da Champ Car nas ruas de Long Beach disputada em abril do ano passado. Ainda assinado a pole position da corrida extra-campeonato em Surfer's Paradise, na Austrália, prova essa ganha pelo seu futuro companheiro Ryan Briscoe. Além disso, em 2006, levou o prêmio do Novato do Ano da Champ Car. Ano passado disputou a Indy pela equipe KV. "Esta é uma grande oportunidade para mim, juntar-me a uma das melhores equipes no automobilismo. Estou ansioso pelo começo da temporada e poder ajudar a Penske em sua preparação para 2009", disse Power.

Ele estava disponível no mercado desde que perdeu seu lugar na KV, pois seu patrocinador, Craig Gore, australiano dono da Aussie Vineyards, abandonou a equipe depois que a Fórmula Indy decidiu não correr novamente em Surfer's Paradise. Para o lugar de Power foi contratado o brasileiro Mario Moraes.

Silly Season 2009


Mário Moraes é o novo piloto da KV para 2009.

Esse mês de janeiro seguia sem novidades em relação às definições que faltam de equipes e pilotos que disputarão a temporada 2009 da Fórmula Indy. Isso até nessa segunda-feira.

O norte-americano Robin Miller, conceituado jornalista especializado em automobilismo, muito bem relacionado no mundo da Indy, revelou muitas novidades, algumas surpreendentes, sobre como poderá ficar o grid para a corrida de estréia nas ruas de São Petersburgo, na Flórida.

A Penske tomou a decisão de demitir Hélio Castro Neves por conta de seus problemas com a justiça estadunidense. A escolha do seu substituto se limita a três nomes: Will Power, Justin Wilson e Ryan Hunter-Reay, este parece ser o que reflete o estilo de piloto preferido da equipe. Quem também é mencionado é o francês Romain Dumas, com uma vitoriosa carreira na ALMS, onde correu para Roger Penske, com quem possui um ótimo conceito.

A família Philippe comprou a equipe Roth para alinhar os irmãos Nelson e Richard, sob o novo nome de Team France. Nelson Philippe é um nome bem conhecido dos fãs da Champ Car, onde correu de 2004 até 2008, defendendo as equipes Rocketsports, Conquest e HVM. Sua melhor temporada foi em 2006, quando terminou o campeonato em quarto e venceu nas ruas australianas de Surfer's Paradise. Já Richard, o irmão mais novo, disputou em 2006 a Fórmula Atlantic e realizou alguns testes privados pela Champ Car, antes de ingressar no ano seguinte na World Series by Renault.

Enquanto isso, a equipe Newman Haas Lanigan está conversando com o tetracampeão da Indy (versão Champ Car) Sebastien Bourdais e já assinou com o holandês Robert Doornbos. O norte-americano Graham Rahal está com seu lugar garantido desde o fim do ano passado. Bourdais viria para correr em um terceiro carro caso não consiga se manter na Fórmula 1 e se o time conseguir os patrocinadores necessários para a empreitada.

Essa notícia já foi confirmada: o brasileiro Mário Moraes é o novo piloto da equipe KV. Todos saíram ganhando. Moraes, que precisava de um time estruturado para correr após o excelente ano de estréia na Dale Coyne e mais ainda a KV, que havia perdido o apoio dos seus patrocinadores australianos, e necessitava urgentemente de alguém que bancasse o orçamento de ao menos um de seus carros.

Agora é esperar que os outros rumores se transformem em notícias. O que seria excepcional em alguns casos, principalmente quando temos mercado muito pouco interessando em investir em automobilismo nesse momento.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Galeria da Fama: Rick Mears



Rick Ravon Mears nasceu no dia 03 de dezembro de 1951 em Wichita, no estado do Kansas, Estados Unidos. Ele figura ao lado de A.J. Foyt e Al Unser como um dos únicos pilotos com quatro vitórias nas 500 milhas de Indianápolis (1979, 1984, 1988, 1991). Também é o atual recordista de pole positions da corrida com seis no total (1979, 1982, 1986, 1988, 1989, 1991). Além disso, Mears é tricampeão da Fórmula Indy (1979, 1981, 1982).

Mears morava em Bakersfield, Califórnia, quando começou sua carreira no automobilismo nas competições fora-de-estrada. Ele foi para Fórmula Indy no ano de 1976, fazendo sua estréia pela pequena equipe Art Sugai, pilotando um ultrapassado Eagle Offenhauser. Suas atuações atraíram a atenção de Roger Penske. Embora a Penske já estivesse dividindo as atenções entre Mario Andretti e Tom Sneva, Andretti também disputava a Fórmula 1 com a Lotus naquela época e por isso Roger queria um outro piloto mais jovem que focalizasse seus objetivos exclusivamente no automobilismo estadunidense. Para 1978 foi oferecido um contrato em que Mears poderia disputar nove das dezoito corridas do campeonato, incluindo as 500 milhas de Indianápolis.

Mears qualificou-se na primeira fila das 500 milhas, mas não completou mais do que 15 voltas, desistindo com o motor fundido. Duas semanas mais tarde, no GP de Milwaukee, saiu das últimas posições rumo a sua primeira vitória. Acrescentou outra vitória um mês mais tarde em Atlanta e fechou a temporada com sua primeira vitória em um circuito misto que aconteceu em Brands Hatch, quando os carros da Usac (entidade que organizava a Indy Car na época) fizeram a sua primeira e última visita a Inglaterra.



Em 1979, enquanto o comando da Indy Car saía do controle da Usac para a Cart (Championship Auto Racing Teams), Mears emergia como o piloto a ser vencido. Em Indianápolis venceu sua primeira 500 milhas depois de largar na pole e dominar totalmente a prova aproveitando que seus principais concorrentes ficavam pelo caminho. Esse estilo inteligente e paciente, que não forçava em demasia o equipamento, iria se transformar em marca registrada do estilo Mears de pilotagem.

Três vitórias e quatro segundos nas onze corridas válidas pela Cart foram mais do que suficientes para assegurar seu primeiro campeonato. O pior desempenho de Mears em 1979 foi uma quinta colocação. O Chaparral com o revolucionário efeito-solo foi o grande destaque da temporada de 1980, ficando Mears satisfeito com o quarto lugar no geral e somente com uma vitória, conquistada na Cidade do México, pois o seu Penske não foi competitivo o suficiente para almejar disputar o título.

Nos anos de 1981 e 1982 Mears dominou a disputa, em termos de velocidade e consistência. Dez vitórias em duas temporadas foram suficientes para lhe dar outros dois campeonatos. Nas 500 milhas de 1982 ele ficou a apenas 0s016 de conseguir sua segunda vitória em Indianápolis. Por um erro da equipe, que colocou muito combustível durante no último pit-stop, o fez perdeu muito tempo ficando atrás de Gordon Johncock. O photo-finish decidiu quem foi que venceu a corrida que por dez anos fora a chegada mais apertada da história de uma das maiores corridas do automobilismo mundial.



No campeonato de 1983 a Penske adquiriu as famosas cores amarelas da Pennzoil, mas um chassi deficiente obrigou a equipe trabalhar para obter mais a consistência do que a velocidade. Embora seu companheiro de equipe Al Unser tenha conquistado o título, a Penske adquiriu os chassis da March para 1984. Aquele foi um de contastes, pois enquanto no mês de maio Mears chegava a sua segunda vitória na Indy 500, depois ele sofreu severos ferimentos nos pés após um acidente no oval de Sanair. O chassi March, como a maioria dos outros modelos que competiam nas corridas de monopostos da época, tinha pouca proteção para as pernas dos pilotos em caso de um impacto frontal.

Mears testou no circuito de Riverside, na Califórnia, com a equipe Brabham de Fórmula 1 em 1980 e obteve ótimos tempos, melhores até do que o então vice-campeão do mundo Nelson Piquet. Porém, como o chefão Bernie Ecclestone esperava que ele arranjasse patrocinadores para a equipe, ao invés de receber salários como estava acostumado na Indy. Logicamente recusou a oferta de entrar para na categoria. Após 1984 sua velocidade nos circuitos mistos ficou comprometida por causa dos ferimentos no pé direito e por isso mesmo as temporadas de 1985, 1986 e 1987 acabaram ficando abaixo do nível de pilotagem que Mears estava acostumado, com somente duas vitórias em Pocono, que é um circuito trioval, nesse período.

Depois de quatro anos utilizando os March, para 1988 a Penske estava confiante para desenvolver seu novo carro, o PC 17, com um novo e potente motor Chevrolet. O poderoso novo carro levou Mears a ingressar em um seleto grupo: o dos pilotos que venceram em Indianápolis por três vezes. Como em suas conquistas anteriores foi um triunfo da velocidade misturada com a paciência. Ele venceu liderando cerca de dois terços do percurso porque foi o único dos ponteiros que não teve nenhum tipo de problemas. Um ano depois estabeleceu o novo recorde de cinco poles positions em Indianápolis, mas acabou abandonando a prova por causa de problemas mecânicos. Émerson Fittipaldi venceu a prova e também derrotou Mears no campeonato, mesmo que norte-americano tenha vencido a última etapa em Laguna Seca.

Fittipaldi formou com Mears a dupla da Penske no ano de 1990, mas quem comandou as ações foi Al Unser Jr., campeão com seis vitórias. Esse seria a última temporada da parceria entre Mears e a Pennzoil já que a Marlboro tornou-se o principal patrocinador dos dois carros da equipe.



O conquista mais importante da sua vitoriosa carreira ocorreu em seu palco preferido. Mears passou as últimas vinte voltas das 500 milhas de Indianápolis de 1991 tentando alcançar o líder Michael Andretti. A vantagem de Michael nesse momento da corrida chegou aos 15 segundos. Então, depois que uma bandeira amarela que dissolveu essa vantagem, Mears assumiu a liderança quando Andretti resolveu aproveitar a situação para ir aos pits colocar pneus novos. Mas essa situação não durou muito tempo, já que Andretti ultrapassou Mears pela parte externa do circuito logo na primeira curva.

Só que Mears não se abateu. Uma volta depois ele deu o troco fazendo a manobra também utilizando parte externa retomando a primeira posição. Então o pai de Michael, Mario, estourou o motor na 191ª volta e sujou a pista de óleo, provocando outra bandeira amarela. Quando foi agitada a bandeira verde, Mears aumentou a pressão do turbo, abrindo 3s149 de vantagem para vencer sua quarta 500 milhas. Sua última vitória aconteceu em agosto de 1991 no oval de Michigan.

Na edição de 1992 das 500 milhas de Indianápolis, Mears sofreu um dos acidentes mais espetaculares da história do circuito quando seu Penske Chevrolet bateu violentamente na curva dois e se arrastando capotado por toda a reta oposta, quebrando o pulso e ficando de fora da prova pela primeira vez em sua carreira. Disputou somente mais quatro etapas em 1992 e anunciou sua aposentadoria das pistas para a equipe Penske na época do Natal. Atualmente Rick Mears continua trabalhando como consultor da Penske, equipe pela qual venceu todas suas corridas na Indy Car. É irmão de Roger Mears (ex-piloto da Indy) e tio de Casey Mears (atualmente na Nascar).

Histórico do Piloto
1992 - Equipe Penske, 13º colocado, 47 pontos.
1991 - Equipe Penske, 4º colocado, 2 vitórias, 6 poles, 144 pontos.
1990 - Equipe Penske, 3º colocado, 1 vitória, 3 poles, 168 pontos.
1989 - Equipe Penske, vice-campeão, 3 vitórias, 5 poles, 186 pontos.
1988 - Equipe Penske, 4º colocado, 2 vitórias, 4 poles, 129 pontos.
1987 - Equipe Penske, 5º colocado, 1 vitória, 102 pontos.
1986 - Equipe Penske, 8º colocado, 4 poles, 89 pontos.
1985 - Equipe Penske, 10º colocado, 1 vitória, 2 poles, 51 pontos.
1984 - Equipe Penske, 5º colocado, 1 vitória, 2 poles, 110 pontos.
1983 - Equipe Penske, 6º colocado, 1 vitória, 1 pole, 92 pontos.
1982 - Equipe Penske, campeão, 4 vitórias, 8 poles, 294 pontos.
1981 - Equipe Penske, campeão, 6 vitórias, 2 poles, 304 pontos.
1980 - Equipe Penske, 4º colocado, 1 vitória, 2866 pontos.
1979 - Equipe Penske, campeão, 3 vitórias, 2 poles, 4060 pontos.
1978 - Equipe Penske, 9º colocado, 3 vitórias, 2171 pontos.
1977 - Equipes Art Sugai e Theodore, 20º colocado, 555 pontos.
1976 - Estréia na Fórmula Indy, equipe Art Sugai, 16º colocado, 390 pontos. Campeão da Fórmula Vee e da Super Vee SCCA.
1973 - Corridas fora-de-estrada, 7 vitórias.
1968 - Motociclismo.

Estatísticas na Fórmula Indy (Usac e Cart)
GPs disputados: 203
Vitórias: 29
Pódios: 75
Poles: 40