quarta-feira, 7 de abril de 2010

Barber Motorsports Park - Alabama

O Barber Motorsports Park é um circuito misto com 2,300 milhas e 15 curvas, localizado próximo à cidade de Birmingham, no estado do Alabama, palco da 3ª etapa da Fórmula Indy em 2010. Serão 90 voltas, totalizando 207,000 milhas de extensão. Como em São Paulo, pela primeira vez, a pista vai receber uma prova da categoria. Ela já tinha sido utilizada em três sessões de treinos durante a pré-temporada no final de fevereiro. Naquela ocasião, o mais rápido foi o líder do campeonato, Will Power, da Penske, com 1min09s4557. O contrato do autódromo com a categoria vale por três anos.

O traçado tem suas curvas entre subidas e descidas, num desenho que mistura retas curtas e médias, sendo uma pista de média para baixa velocidade. Seu grande destaque, além do autódromo inaugurado em 2003, é o museu Barber Vintage Motorsports, que possui uma coleção com mais de 900 motos e carros de corrida de todas as épocas. Ele é considerado o maior museu de automobilismo no mundo. Tirando a Indy, Barber ainda terá outras duas atrações durante o fim de semana: a Grand-Am e a AMA Superbike Championship (campeonato norte-americano de motociclismo).

Ao contrário das duas primeiras etapas do ano dessa vez a Indy não sofrerá com a chuva. A previsão meteorológica é de sol para os treinos e a corrida. Porém, as temperaturas serão baixas: entre 4°C e 21°C. Nos últimos cinco anos, três pilotos levaram o título da Indy (versão IRL) depois de vencer o evento inaugural em um circuito. Em 2005, Dan Wheldon venceu a primeira corrida em São Petersburgo. Em 2006, Dario Franchitti venceu a primeira corrida no Iowa e Scott Dixon venceu a primeira corrida de Edmonton, em 2008. Franchitti venceu duas corridas estreantes em 2009 - Long Beach e Toronto - e ficou novamente com o campeonato.

Em 14 temporadas organizadas pela IRL, apenas dois pilotos ganharam a terceira corrida do ano e chegaram ao título. São eles: Sam Hornish Jr. (Fontana em 2002) e Dan Wheldon (São Petersburgo em 2005). Will Power pode entrar para a história das corridas de Indy. Caso vença no domingo, o piloto da Penske contabilizará três vitórias consecutivas nas três primeiras corridas do ano, igualando assim a marca de Sebastien Bourdais, Paul Tracy, Al Unser e A.J. Foyt.

Segundo colocado em São Petersburgo, Justin Wilson ficou a poucos metros da vitória já em sua segunda corrida com a Dreyer & Reinbold. Até agora, o inglês sempre venceu em todas as equipes por onde correu nos últimos anos, com exceção da Conquest, ainda na Champ Car. Com a Rusport, foram quatro vitórias, entre 2005 e 2007. Em 2008, o GP de Detroit com a Newman Haas Lanigan e no ano seguinte deu a Dale Coyne sua primeira conquista na Indy. No Alabama, ele acha que será capaz de repetir o feito, pois sempre esteve entre os pilotos mais rápidos durante a pré-temporada.

Quanto aos outros pilotos, o foco está sobre um novato. A Conquest fechou com o belga Bertrand Baguette, campeão da World Series, pelo restante do ano. Seu carro será bancado pelo Royal Automóvel Clube da Bélgica. Ele correrá ao lado do brasileiro Mário Romancini. Neste inverno, na Europa, Baguette, de 24 anos, fez alguns testes com as equipes Renault e BMW na Fórmula 1.

Confira a programação para o GP do Alabama, terceira etapa da temporada de 2010 da Fórmula Indy (horários de Brasília):

Sexta-feira (09/04)
14h50min - treino livre
18h00min - treino livre

Sábado (10/04)
11h20min - treino classificatório

Domingo (11/04)
10h40min - warm up
16h45min - GP do Alabama (90 voltas)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Junqueira e Andretti na Indy 500

As trajetórias de Bruno Junqueira e Alexandre Tagliani se entrelaçam quando falamos em Indianápolis. Contratado no ano passado pela Conquest, Bruno Junqueira, teve que deixar o canadense dirigir o carro que ele classificou para a corrida.

Agora Tagliani tem a oportunidade de recompensá-lo. A equipe Fazzt, a qual Tagliani é um dos donos, resolveu inscrevê-lo num segundo carro para as 500 milhas de Indianápolis. Entre os pilotos em disponibilidade no mercado o ex-piloto da Newman Haas Lanigan e Ganassi figura entre os melhores.

Autor da pole em 2002, Bruno parecia estar a caminho de ser vitorioso na maior corrida do automobilismo mundial. Infelizmente, Tony Kanaan quebrou o motor e espalhou óleo pela pista. Então, quando se aproximava do trecho sujo, o carro da Ganassi derrapou, indo ao encontro do muro, encerrando drasticamente com as chances de vitória do brasileiro.

Oito anos depois, é ofertada uma nova oportunidade para Junqueira brilhar na Indy 500. Em uma equipe competitiva, aliada a sua experiência mais a de Tagliani, são boas as chances de um grande resultado. Como em 2002, ele terá consigo o número 33, o mesmo que utilizou naquelas inesquecíveis 52 voltas.

No mesmo dia, a Andretti anunciou as cores do quinto carro que vai estar presente nas 500 milhas de Indianápolis, em alusão ao mítico azul e vermelho, imortalizados pelo Rei Richard Petty na Nascar.

Não é para menos. Pelo segundo ano consecutivo, o Rei vai participar da Indy 500 dando suporte ao veterano John Andretti. Trabalhando juntos na Nascar desde os anos 1990, a dupla espera evoluir muito nesta segunda temporada da parceria na Fórmula Indy. Para isso realmente acontecer, eles encerraram a parceria técnica com a Dreyer & Reinbold apostando suas fichas na vitoriosa Andretti.

Levando em conta os progressos realizados neste ano pela equipe de seu primo, John pode alimentar grandes esperanças em relação ao mês de atividades no Indianapolis Motor Speedway. A equipe tem duas vitórias em Indiana: em 2005, com Dan Whheldon, e em 2007, quando Dario Franchitti comemorou no Círculo da Vitória após a corrida ser interrompida em virtude da chuva.

Todos estão empolgados com essa parceria especialmente Michael Andretti. "Estou muito animado para fazer parte dessa aventura. Richard Petty é uma das verdadeiras lendas do nosso esporte e alguém que eu sempre admirei. Tenho muito respeito pelo talento do John, acredito que ele se encaixará muito bem na equipe Andretti e esse pode ser um detalhe decisivo durante o mês de maio."

Vencedor da corrida em Surfer's Paradise pela Indy em 1991, John espera fazer melhor do que a 19º posição obtida na corrida do ano passado, terminando na mesma volta do vencedor Hélio Castro Neves. "Seria difícil prever um panorama tão bom como o que possuímos aqui. Tenho uma boa relação com Richard e respeito muito o Michael e seu time. Estou aproveitando essa parceria e bastante focado para as 500 milhas. Mal posso esperar para entrar no carro e começar a trabalhar", suspirava. O piloto também vai estar na etapa anterior que ocorre no oval de Kansas.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Indy 2010: 2ª etapa - São Petersburgo

Power irrepreensível em São Petersburgo

Adiada devido às fortes tempestades na tarde de domingo, o GP de São Petersburgo, 2ª etapa da Fórmula Indy 2010, foi transferida para essa segunda-feira. E dessa vez com muito sol os 24 carros saíram para a pista. Contudo, apesar das condições meteorológicas ideais e do excelente trabalho dos organizadores para secar os pontos molhados do percurso, Milka Duno insistiu em rodar sozinha durante as voltas de apresentação.

Na largada, Will Power soube aproveitar sua condição de pole para percorrer a primeira curva sem dificuldades à frente de Tony Kanaan e Scott Dixon. Lá atrás, Mike Conway e Dario Franchitti, que largaram em 10º e 13º, rodam e provocam a primeira bandeira amarela. A culpa é do piso ainda pouco aderente por conta das chuvas torrenciais que o lavaram completamente no dia anterior.

Com a bandeira verde, Marco Andretti passa para terceiro e antes de completar a volta já era o segundo e em seguida ataca o líder. Não demora muito para assumir a ponta. Hélio Castro Neves é outro com ritmo intenso e algum tempo toma a segunda posição de Power. O australiano perde velocidade depois de ter perdido o primeiro lugar indo parar em quarto. Mas, é justamente essa queda de desempenho que lhe permite conservar seus pneus macios, o que provaria ser a melhor estratégia a seguir. Assim, na 18ª volta, com seus compostos em melhor estado, ultrapassa Andretti. Logo depois, novamente na freada da reta dos boxes, ele deixa Hélio para trás, que já está distante de Dixon.

Na 22ª volta, temos outra amarela. Takuma Sato perde o controle e sai da corrida ao acertar a barreira de proteção ao se defender dos ataques de Vitor Meira, Raphael Matos e Dario Franchitti. Note-se que estes três pilotos resolveram adotar uma estratégia de paradas diferente dos ponteiros aproveitando as paralisações para tentar ganhar posições. Os líderes entram nos pits, enquanto aqueles permanecem na pista. Assim, Meira assume a liderança, seguido por Matos, Franchitti, Briscoe, Alex Tagliani, Hideki Mutoh, Mário Moraes e Graham Rahal. Dixon é o nono e Castro Neves vem em décimo. No reinício, Scott Dixon danifica a asa dianteira após tocar em Mário Moraes. Já Kanaan se estranha com Andretti, e como Dixon, também é obrigado a fazer um pit stop extra para reparar seu carro.

Os espectadores prendem a respiração na 45ª volta. Dan Wheldon perde o controle de seu carro em virtude de um problema na suspensão traseira direita e bate violentamente no carro de Moraes no fim da reta dos boxes. Ocorre a terceira bandeira amarela. Por sorte eles não se machucam. Com isso, muitos pilotos vão aos boxes. As posições se alteram novamente, com Power na ponta, seguido por Justin Wilson, Ernesto Viso, Simona de Silvestro e Danica Patrick. Na bandeira verde, os três primeiros conseguem abrir boa vantagem. Dixon ultrapassa Simona e Danica para ficar em quarto. Franchitti tem sua prova prejudicada dessa vez por conta um de pneu furado.

Mas mais uma vez a corrida teria uma amarela, quando Conway tentou ultrapassar Matos e bate. O grande beneficiado é Viso, que passar Wilson se tornaria líder, pois os pilotos que estavam na sua frente iriam parar durante a interrupção. Todavia, o venezuelano não vai ficar muito tempo nessa condição. Vítima de problemas na transmissão, o piloto da KV é obrigado a rumar aos pits para reparos, perdeu a oportunidade de vencer pela primeira vez na Indy. Na 73ª volta, Dixon erra e acerta muro. Quase ao mesmo tempo, Simona, um dos destaques na etapa, é tocada por Rahal ao tentar ultrapassá-lo e perde a asa dianteira. A amarela é acionada.

A parte final da corrida se resume em três batalhas. A primeira entre Power e Wilson pela dianteira. A segunda é com os dois companheiros de Penske, o australiano Briscoe contra o brasileiro Castro Neves pelo terceiro lugar. Enquanto isso, oito pilotos disputam ferozmente a quinta posição: Matos, Patrick, Franchitti, Kanaan, Hunter-Reay, Andretti, Rahal e Tagliani. As últimas voltas são tensas, já que Power talvez tenha de parar novamente. Apesar desse risco, tudo dá certo, pois o australiano resiste e vence nas ruas de São Petersburgo.

É sua segunda vitória em duas provas nessa temporada, concluindo em grande estilo um fim de semana quase perfeito, no qual domina os três treinos livres e a qualificação. Wilson é o segundo, à frente de Briscoe, que consegue conter os ataques do companheiro de Penske Castro Neves. Franchitti, num espetacular desempenho, faz cinco ultrapassagens nas seis últimas voltas, chegando à quinta colocação.

Atrás do escocês, está Tagliani, na segunda corrida por sua equipe Fazzt, em mais uma destacada atuação. Patrick, mesmo não andando rápido, é a sétima, graças à eficiente estratégia da Andretti. Matos, Rahal e Kanaan completam os dez primeiros. Mário Romancini é o 13º. Meira que chega a liderar é vítima da tática de pit stops ficando somente em 15º.

GP de São Petersburgo
2ª etapa - 29/03/2010
Circuito de rua com 1,806 milha

São Petersburgo - Flórida (Estados Unidos)
1) Will Power (AUS/Penske), 100 voltas em 2h07min05s796
2) Justin Wilson (ING/Dreyer & Reinbold), a 0s8244
3) Ryan Briscoe (AUS/Penske), a 4s7290
4) Hélio Castro Neves (BRA/Penske), a 5s1699
5) Dario Franchitti (ESC/Ganassi), a 22s2172
6) Alex Tagliani (CAN/Fazzt), a 29s3224
7) Danica Patrick (EUA/Andretti), a 30s3360
8) Raphael Matos (BRA/De Ferran Luczo Fragon), a 30s6695
9) Graham Rahal (EUA/Fisher), a 30s8426
10) Tony Kanaan (BRA/Andretti), a 31s3508
11) Ryan Hunter-Reay (EUA/Andretti), a 31s6286
12) Marco Andretti (EUA/Andretti), a 32s1703
13) Mário Romancini (BRA/Conquest), a 39s8086
14) Hideki Mutoh (JAP/Newman Haas Lanigan), a 39s9949
15) Vitor Meira (BRA/Foyt), a 56s0593
16) Simona de Silvestro (SUI/HVM), 99 voltas
17) Ernesto Viso (VEN/KV), 97 voltas
18) Scott Dixon (NZL/Ganassi), 73 voltas
19) Mike Conway (ING/Dreyer & Reinbold), 64 voltas
20) Dan Wheldon (ING/Panther), 46 voltas
21) Mário Moraes (BRA/KV), 46 voltas
22) Takuma Sato (JAP/KV), 24 voltas
23) Alex Lloyd (ING/Dreyer & Reinbold) 14 voltas
24) Milka Duno (VEN/Dale Coyne), 7 voltas

A classificação da Indy após duas etapas
1) Will Power (Penske), 103 pontos
2) Ryan Hunter-Reay (Andretti), 59 pontos
3) Dario Franchitti (Ganassi), 59 pontos
4) Justin Wilson (Dreyer & Reinbold), 59 pontos
5) Raphael Matos (De Ferran Luczo Fragon), 56 pontos
6) Hélio Castro Neves (Penske), 54 pontos
7) Ryan Briscoe (Penske), 51 pontos
8) Vitor Meira (Foyt), 50 pontos
9) Dan Wheldon (Panther), 42 pontos
10) Danica Patrick (Andretti), 41 pontos
11) Scott Dixon (Ganassi), 40 pontos
12) Tony Kanaan (Andretti), 40 pontos
13) Alex Tagliani (Fazzt), 40 pontos
14) Mike Conway (Dreyer & Reinbold), 36 pontos
15) Ernesto Viso (KV), 31 pontos
16) Mário Romancini (Conquest), 30 pontos
17) Marco Andretti (Andretti), 30 pontos
18) Simona de Silvestro (HVM), 28 pontos
19) Hideki Mutoh (Newman Haas Lanigan), 28 pontos
20) Takuma Sato (KV), 24 pontos
21) Mário Moraes (KV), 24 pontos
22) Alex Lloyd (Dale Coyne), 24 pontos
23) Milka Duno (Dale Coyne), 24 pontos
24) Graham Rahal (Fisher), 22 pontos
25) Bia Figueiredo (Dreyer & Reinbold), 17 pontos

sexta-feira, 26 de março de 2010

Rahal correrá nas próximas três corridas

Sem vaga garantida para toda temporada desde que perdeu o patrocínio do McDonald’s, o norte-americano Graham Rahal fechou com a equipe Fisher e vai disputar as etapas de São Petersburgo e Alabama. Ele não esteve presente no grid do GP de São Paulo. No entanto, o novo piloto da Sarah Fisher Racing lamentou a ausência na prova inaugural.

"Não foi legal ver a corrida pela TV, eu senti muito por não estar correndo. Por tudo de interessante que aconteceu na pista, fiquei imaginando o quanto poderia ter aproveitado. Tenho certeza que outros pilotos que estão desempregados também pensaram nisso, mas, assim que vi o traçado, pensei que ele foi feito para mim. Se houve alguns problemas com o asfalto da pista, no próximo ano estará ainda melhor. O circuito foi desenhado para corridas, e isso é ótimo", definiu.

A pista de São Petersburgo traz boas lembranças ao piloto. Em 2008, ele estreou em um campeonato organizado pela IRL nesse circuito urbano, onde venceu já em sua primeira corrida, após não participar da corrida de Miami em virtude de um acidente nos treinos que destroçou seu carro, se tornando, aos 19 anos, no piloto mais novo a vencer na Indy. Foi lá que ele também largou pela primeira vez na pole position no ano passado.

De acordo com o jornalista Robin Miller, o jovem norte-americano está prestes a definir sua presença por toda a temporada, num segundo carro da Newman Haas Lanigan a partir de Long Beach, no próximo mês. "Eu não quero falar sobre isso ainda, mas seria bom ter algo em tempo integral", disse Rahal.

Outra novidade é a estreia do belga Bertrand Baguette, de 24 anos, campeão da Fórmula Renault em 2009, na Conquest a partir da terceira etapa, o GP do Alabama, no dia 11 de abril. Baguette fará dupla com o brasileiro Mário Romancini, outro estreante na Indy. Ele vai estar presente em São Petersburgo, neste fim de semana, para ter seu primeiro contato com sua nova categoria.

Coluna do Hyder - Fabio "Hyder" Azevedo

A força

Entre trancos e barrancos o GP do Brasil (São Paulo Indy 300) da Fórmula Indy foi muito divertido. Há tempos não tínhamos no Brasil uma cobertura televisiva como a vista nos dias de treinos e corrida na capital paulista. Existem várias coisas que devem ser melhoradas, mas a partir de agora, não existirá o fator tempo jogando contra a organização. A pista, por exemplo, tinha um desenho muito interessante. Infelizmente houve o deslize com relação à aderência da reta do sambódromo e é justamente esse aspecto que eu queria tecer maiores observações. A cidade de São Paulo teve uma grande habilidade para solucionar o problema. Eles foram rápidos quando era necessário ser e isso deixou os norte-americanos, conhecidos por serem excessivamente bitolados, de queixo caído.

A influência econômica e o poder político muitas vezes fizeram com que provas, mesmo não possuindo as condições mínimas técnicas e de calendário para serem executadas, fossem disputadas. Lembro certa vez, em Cleveland, onde o asfalto do Burke Lakefront Airport estava literalmente esfarelando em determinados trechos. Qual foi a decisão da Cart no meio da prova transmitida para 200 países? Remendo com cimento de secagem rápida. O Luciano do Valle e a turma da Bandeirantes não acreditavam quando viram aquilo. Então é bom deixar claro que ondulações existem em qualquer pista de rua no mundo inteiro em quantidades maiores ou menores. Isso ocorre inclusive em determinadas pistas fechadas, mas essa é pauta para outra coluna.

Outro episódio ocorreu em 2000, ano de renascimento da Penske. A prova de Nazareth seria a primeira do certame no "quintal" do Roger Penske. Aquela semana estava fria, entretanto havia um tempo limpo e um discreto sol, dando um chame aquele lugar não tão atrativo assim já que o grande interesse para a Penske e os outros times era a proximidade daquele acanhado oval em relação à Nova Iorque e as sedes de grandes empresas investidoras na Cart. Os treinos e as outras atividades transcorriam normalmente. A pressão por uma vitória por parte da Marlboro sobre Roger era grande, pois a última conquista havia sido no distante ano de 1997. Mas um fator mudaria todo este cenário. Na madrugada do domingo, uma tremenda nevasca fora de época chegou e tornou impraticável qualquer atividade de pista. Enquanto os times e a organização desmontavam e transportava toda a estrutura os pilotos faziam bonecos e guerra de neve para alegria dos fotógrafos. Dificilmente vamos ver algo parecido na Fórmula 1.

Fosse qualquer outra, exceto as 500 milhas de Indianápolis, a corrida de Nazareth teria sido cancelada e o seguro acionado para cobrir as despesas, os ingressos devolvidos e ficaria uma tremenda mancha na reputação daquela comunidade (lembram do Texas?). Mas como se tratava da pista predileta da Penske Motorsports (ainda por cima sede da organização e antiga casa da Penske Racing), que ficava vizinha a cidade, Roger pressionou a Cart e os outros chefes de equipe sobre a importância financeira de se realizar a corrida. Remarcou-se para a semana posterior a etapa do Rio de Janeiro.

Valeu à pena, pois tivemos um dia histórico. Gil de Ferran levou a turma de Reading a sua 100ª vitória em corridas da Indy. Para nós brasileiros a alegria foi ainda maior já que Maurício "Big Mo" Gugelmin chegou em terceiro. Ferran chutou a urucubaca para longe e vencendo, mostrou a todos que aquele ano seria da Marlboro Team Penske e desse talentoso franco-brasileiro.

A força de Roger Penske apareceu outra vez no caso da migração da equipe para IRL. Por conta de sua decisão, as rivais Ganassi e Green (atual Andretti Autosport), parte dos patrocinadores e a televisão que transmitia a Cart seguiram os seus passos. Seu motivo principal foi ser contra a entrada do fundo de investimento ISL na categoria. O tempo mostrou que Roger estava correto em sua linha de pensamento.

Não que o Capitão seja infalível. Muito pelo contrário. Um dos seus mais famosos erros de avaliação ocorreu no Bump Day da Indy 500 de 1995 e ele até hoje se cobra por isso. Apostar em Alex Baron e Tarso Marques foi também duas escolhas grotescas. Para finalizar, a teimosia de manter o desenvolvimento de um projeto lindo, porém fracassado, como eram os modelos PC27 e PC28, mostram que pessoas obstinadas também têm seus dias ruins.

Mesmo nas vacas magras, homens como Roger Penske continuam sendo admiráveis, verdadeiros mitos vivos. É para ele que dedico essa coluna.

Um grande abraço e fiquem com Deus.

São Petersburgo - Flórida

Duas semanas após uma excepcional abertura de campeonato em São Paulo, a Fórmula Indy volta aos Estados Unidos. O Bayfront Center é um circuito de rua com 1,806 milha, localizado na baia da cidade de São Petersburgo, no estado da Flórida, palco da 2ª etapa da Fórmula Indy em 2010. Serão 100 voltas, totalizando 180,600 milhas de extensão. Pela sexta vez, a pista vai receber uma prova da categoria, já que antes fez parte do calendário da extinta Champ Car.

Na verdade, São Petersburgo realiza corridas em suas ruas desde 1985, inicialmente no Bayfront Center em um traçado com 3.218 km. A primeira corrida foi com os protótipos da Trans-Am. Apesar de ser um circuito rápido e com um traçado desafiador, era bastante perigoso, com várias curvas cegas e barreiras de pneus ineficientes.

Nesse período o evento não empolgava a população da cidade, já que os espectadores não tinham uma boa visibilidade de vários pontos do circuito. Enquanto isso, as provas em si eram sempre disputadas, tanto na Trans-Am quanto nas Fórmulas Atlantic e a Super Vê. A última corrida com este traçado foi em 1990. Entre 1989 e 1990 a IMSA também realizou corridas no antigo circuito.

A Trans-Am regressou depois de um longo intervalo, utilizando agora uma nova, e bem menos interessante, pista chamada Tropicana Field em 1996. Mais estreita e segura do que a anterior, esse traçado era detestado pelos pilotos e durou até 2000, quando o desenvolvimento econômico daquela área impediu a continuidade da corrida.

O apetite por corridas não diminuiu e foram feitos esforços para reativar o automobilismo na cidade. Um novo traçado foi estabelecido, utilizando partes do circuito de 1985, além de incorporar trechos do Aeroporto Whitted Albert e parte da área da baía.

A pista resultante provou ser um sucesso, e a localização ao lado da marina cheia de barcos evocava a mesma atmosfera da charmosa Long Beach. A prova teve sua primeira edição na Fórmula Indy em 2003, ainda como evento da Champ Car, e teve como vencedor o canadense Paul Tracy, mas o evento acabou cancelado em 2004 devido às sérias dificuldades financeiras enfrentadas pela organização do evento.

Foi então que a Andretti Green Promotions assumiu a gestão da corrida, sendo ela incluída no calendário da então IRL em 2005. Essa foi a primeira corrida daquela categoria que não ocorreu em um circuito oval. Uma pequena alteração na curva no final da reta dos boxes foi feita para possibilitar melhores oportunidades de ultrapassagens.

Se o local mudou, os pilotos encontrarão semelhanças entre as duas pistas. Como o circuito brasileiro, São Petersburgo oferece um bom leque de desafios. Com suas duas longas e velozes retas, com ondulações em determinados trechos e curvas feitas em alta velocidade, o traçado exige o correto controle do carro.

Costumeiramente, quem vence essa corrida não leva o campeonato, com exceção de Dan Wheldon que ganhou o título em 2005, depois de vencer no Bayfront Center. Essa sina indesejada também persegue os vencedores da segunda etapa da temporada. Somente quatro pilotos nessa situação, em campeonatos organizados pela IRL, foram coroados campeões no final do ano: Buddy Lazier (Phoenix, 2000) Sam Hornish Jr. (Homestead, 2001), Tony Kanaan (Phoenix, 2004) e Dario Franchitti (Long Beach, 2009).

Quem tem todos os motivos para comemorar é o escocês Dario Franchitti. O piloto da Ganassi fará sua 200ª corrida de Indy neste fim de semana. Ele fez sua estreia em 1997, na Cart pela equipe Hogan depois de duas temporadas no DTM. Naquela ocasião ninguém imaginava que Dario iria ser tão vitorioso no automobilismo norte-americano. Muito atrapalhado e desajeitado no começo (e usando um capacete semelhante ao do compatriota David Coulthard) ainda sim Franchitti provou ser muito rápido. Felizmente Barry Green notou suas qualidades e o convocou para fazer dupla com Paul Tracy no ano seguinte.

Desde então ele nunca mais teve outra equipe (pois a Andretti Green era na realidade a antiga equipe Green) até se transferir para Ganassi no final de 2008. Aqui está um breve resumo de sua carreira:

Bicampeão da Fórmula Indy em 2007 e 2009; vencedor das 500 milhas de Indianápolis em 2007; 23 vitórias divididas da seguinte maneira: nove em circuitos de rua, em três mistos e dez em ovais; percorreu 41792 milhas em sua carreira; em São Petersburgo realizará sua 45ª corrida em um circuito de rua; concluiu 140 das 199 corridas nas quais participou.

Confira a programação para o GP de São Petersburgo, segunda etapa da temporada de 2010 da Fórmula Indy (horários de Brasília):

Sexta-feira (26/03)
11h40min - treino livre
15h10min - treino livre

Sábado (27/03)
10h55min - treino livre
14h20min - treino classificatório

Domingo (28/03)
10h30min - warm up
16h45min - GP de São Petersburgo (100 voltas)

Vencedor em 2009: Ryan Briscoe (AUS)
Pole em 2009: Graham Rahal (EUA)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Indy 2010: 1ª etapa - São Paulo

Power vence corrida turbulenta

Longe das pistas desde seu acidente em setembro, Will Power retorna para vencer o Grande Prêmio de São Paulo, 1ª etapa de 2010 da Fórmula Indy, sede da primeira corrida de rua da categoria numa cidade da América Latina. Com um calor de 31 graus, e nuvens carregadas a caminho, a largada é dada sobre uma densa poeira que prejudica a visão dos pilotos. O pole position Dario Franchitti passa com segurança pela chicane em primeiro à frente de Alex Tagliani. Atrás deles o caos reina. Takuma Sato, da KV, perdeu o controle na freada da primeira curva, o S do Samba, alvejando o carro do bicampeão Scott Dixon. Já Hélio Castro Neves, que vinha logo atrás, não desvia de Dixon e também participa do acidente. Desses apenas Sato abandona a prova.

Entretanto, não foram esses os pilotos que seriam as maiores vítimas da chicane. Mário Moraes, da KV, derrapa e atinge Marco Andretti. Dessa maneira o carro de Moraes fica sobre o cockpit de Andretti. Após tensos 12 minutos, Marco é retirado dos destroços pela equipe de resgate sem ferimentos. "Tinha muita poeira na reta na hora da largada e, por causa do primeiro acidente, todo mundo freou muito antes do ponto normal. E, quando vi, todos estavam bem devagar e não consegui evitar a batida", justificou Moraes, que confirmou sua presença somente na quinta-feira anterior à prova.

A disputa recomeça na 8ª volta, depois de parte dos pilotos fazerem sua primeira parada nos pits. Por consequência das avarias sofridas na largada, Castro Neves para quatro vezes neste intervalo. Franchitti é o líder seguido por Tagliani, Power, Ryan Hunter-Reay e Tony Kanaan em quinto. Dez voltas adiante, Hunter-Ray ultrapassa Tagliani na curva da Vitória, no final da Marginal Tietê, assumindo o segundo lugar. Pouco depois ocorre a segunda paralisação, fruto da rodada da venezuelana Milka Duno, com problemas mecânicos, na curva da Base Aérea. A maioria pilotos aproveita a chance e realizam a parada para trocar os pneus e reabastecer.

Quem se beneficia é a novata suíça Simona de Silvestro, que tinha parado antes da segunda bandeira, que é a nova líder logo em sua estreia. Com o reinicio Hunter-Reay supera Franchitti na freada da Marginal e é novamente o segundo. Na volta seguinte também ultrapassa De Silvestro e fica na liderança. Atrás deles, a luta é intensa pela quarta posição.

Kanaan, que lidera esse pelotão, está num ritmo constante mesmo usando os pneus duros, quando se vê envolvido no acidente entre Dan Wheldon e Tagliani. O piloto da Panther tenta ultrapassar Tag na Reta de Marte, mas na freada para a Curva do Anhembi, toca na traseira do carro da estreante equipe Fazzt e esse acerta Kanaan. Tagliani desiste, enquanto Kanaan e Wheldon voltam, porém com uma volta atrás.

A confusão ocorre no mesmo instante que a chuva começa a cair sobre a pista. Os pilotos que param primeiro para colocar os pneus de chuva levam vantagem, mesmo que temporária. Não demora muito e a bandeira amarela é levantada novamente. Dessa vez por causa do inglês Alex Lloyd que fica atravessado na reta oposta. Na 34ª volta, depois de Hideki Mutoh bater no mesmo trecho, a direção de prova opta pela bandeira vermelha por causa da chuva forte, com uma hora e catorze minutos de corrida.

Agora Franchitti está na ponta, com um surpreendente Dixon em segundo seguido por Mike Conway. Castro Neves é o quinto. Diferente da maioria, Hunter-Reay, Raphael Matos e Ryan Briscoe estão com pneus para pista seca. A interrupção dura 45 minutos com a corrida recomeçando ainda sob bandeira amarela, com o asfalto já parcialmente seco. Assim os carros com pneus slick começam a andar muito rápido. Quem está com os de chuva é obrigado a fazer uma parada extra e perde contato com os ponteiros.

Hunter-Reay volta à liderança na 41ª volta, com Briscoe superando Matos para assumir o segundo lugar. Will Power e Vitor Meira também estão envolvidos na disputa pela vitória. Na 46ª volta, Power passa Matos, enquanto Mário Romancini bate no muro curva Tietê, obrigando o estreante a abandonar. Briscoe passa a virar cada vez mais rápido e em sete voltas tira a diferença de seis segundos em relação ao líder Hunter-Reay. Tem início a melhor disputa da prova.

Briscoe toma a posição na curva da Vitória, mas o norte-americano dá o troco na curva seguinte, o S do Samba. Uma volta mais tarde, Briscoe repete a manobra no fim da Reta dos Bandeirantes, e desta vez toma a devida precaução para não tomar o revide do adversário. Infelizmente o esforço do australiano é inútil: na 53ª volta, pressionado pelo piloto da Andretti, perde o controle indo de encontro com a proteção de pneus na curva Anhembi.

A última relargada ocorre a cinco voltas do fim. Meira deixa Matos para trás e fica com o terceiro lugar. Power continuava sua caça à liderança andando colado em Hunter-Reay. Na 57ª volta, ele ultrapassa o carro da Andretti na curva da Vitória, a quatro minutos do encerramento.

Power cruza a linha de chegada com 1s8581 de vantagem sobre Hunter-Reay e 9s7094 para Meira. "Essa é a corrida mais cheia de alternativas da qual já participei, mas foi ótimo. Se o carro estiver rápido, o piloto consegue fazer a ultrapassagem, porque o desenho do circuito é excelente", elogia Power.

Mesmo feliz com o ótimo resultado conquistado, Vitor Meira não demonstra ter ilusões em relação a qualidade de seu equipamento. "Sinceramente, em condições normais eu não tinha carro para chegar em terceiro lugar. Usamos bem a cabeça e arriscamos. Não tem como fazer estratégia para o que aconteceu nessa corrida; o que dá para ir se adaptando. Consegui forçar quando tinha que forçar, e tirar o pé quando necessário", analisa.

Matos chega em quarto. Wheldon é o quinto, seguido por Dixon, Franchitti, Conway, Castro Neves e Kanaan fechando as dez primeiras posições. Bia Figueiredo cumpre seu objetivo de terminar a corrida ao cruzar na 13ª colocação em sua estreia como a primeira brasileira a correr em uma grande categoria do automobilismo internacional.

GP de São Paulo
1ª etapa - 14/03/2010
Circuito de rua com 2,170 milhas
Parque do Anhembi - São Paulo, São Paulo (Brasil)
1) Will Power (AUS/Penske), 61 voltas em 2h00min58s0000
2) Ryan Hunter-Reay (EUA/Andretti), a 1s8581
3) Vitor Meira (BRA/Foyt), a 9s7094
4) Raphael Matos (BRA/De Ferran Luczo Fragon), a 10s4235
5) Dan Wheldon (ING/Panther), a 10s8883
6) Scott Dixon (NZL/Ganassi), a 11s3473
7) Dario Franchitti (ESC/Ganassi), a 12s0579
8) Mike Conway (ING/Dreyer & Reinbold), a 12s1654
9) Hélio Castro Neves (BRA/Penske), a 12s7411
10) Tony Kanaan (BRA/Andretti), a 13s4850
11) Justin Wilson (ING/Dreyer & Reinbold), a 13s9193
12) Ernesto Viso (VEN/KV), a 16s9039
13) Bia Figueiredo (BRA/Dreyer & Reinbold), a 19s6451
14) Ryan Briscoe (AUS/Penske), a 1min14s9191
15) Danica Patrick (EUA/Andretti), 60 voltas
16) Simona de Silvestro (SUI/HVM), 58 voltas
17) Mário Romancini (BRA/Conquest), 46 voltas
18) Alex Lloyd (ING/Dale Coyne) 30 voltas
19) Alex Tagliani (CAN/Fazzt), 28 voltas
20) Hideki Mutoh (JAP/Newman Haas Lanigan), 27 voltas
21) Milka Duno (VEN/Dale Coyne), 20 voltas
22) Takuma Sato (JAP/KV), 0 volta
23) Marco Andretti (EUA/Andretti), 0 volta
24) Mário Moraes (BRA/KV), 0 volta

A classificação da Indy após uma etapa
1) Will Power (Penske), 50 pontos
2) Ryan Hunter-Reay (Andretti), 40 pontos
3) Vitor Meira (Foyt), 35 pontos
4) Raphael Matos (De Ferran Luczo Fragon), 32 pontos
5) Dan Wheldon (Panther), 30 pontos
6) Scott Dixon (Ganassi), 29 pontos
7) Dario Franchitti (Ganassi), 28 pontos
8) Mike Conway (Dreyer & Reinbold), 24 pontos
9) Hélio Castro Neves (Penske), 22 pontos
10) Tony Kanaan (Andretti), 20 pontos
11) Justin Wilson (Dreyer & Reinbold), 19 pontos
12) Ernesto Viso (KV), 17 pontos
13) Bia Figueiredo (Dreyer & Reinbold), 17 pontos
14) Ryan Briscoe (Penske), 16 pontos
15) Danica Patrick (Andretti), 15 pontos
16) Simona de Silvestro (HVM), 14 pontos
17) Mário Romancini (Conquest), 13 pontos
18) Alex Lloyd (Dale Coyne), 12 pontos
19) Alex Tagliani (Fazzt), 12 pontos
20) Hideki Mutoh (Newman Haas Lanigan), 12 pontos
21) Milka Duno (Dale Coyne), 12 pontos
22) Takuma Sato (KV), 12 pontos
23) Marco Andretti (Andretti), 12 pontos
24) Mário Moraes (KV), 12 pontos

sexta-feira, 19 de março de 2010

Galeria da Fama: Danny Sullivan

Daniel John Sullivan III nasceu no dia 9 de março de 1950 na cidade de Louisville, Kentucky, Estados Unidos. Estudou administração de empresas pela Universidade de Kentucky, por dois semestres antes de resolver morar em Nova York, onde trabalhou como porteiro, taxista, jardineiro, lenhador e até fez alguns bicos como modelo. Foi quando recebeu de presente no seu aniversário de 21 anos, uma coisa que mudou seu destino: um curso na Escola Jim Russell, famosa de pilotagem sediada em Snetterton na Inglaterra, sendo sua taxa de matrícula paga por Frank Faulkner, dirigente da SCCA na época. Em 1972, estréia na Formula Ford 1600 Inglesa. Foi vice-campeão da Fórmula 2 Inglesa em 1974. No ano seguinte disputou a Fórmula 3 Inglesa sendo novamente vice-campeão além de obter cinco vitórias e quatro poles. Teve um ano terrível em 1976. Por não ter verba suficiente, o máximo que conseguiu foi não classificar o carro da equipe Modus M3 Hart para a etapa de Mugello da Fórmula 2 Européia. Em 1977, continuou na mesmo time, sendo que dessa vez disputou cincos provas, terminando a temporada na 18ª posição e tendo como melhor resultado um quinto lugar em Donington, Inglaterra apesar das limitações do equipamento.

Sem muitas opções, Sullivan teve em 1978 que dividir suas atenções com a Fórmula Atlantic Neozelandesa, campeonato no qual terminou em 4º lugar e na versão norte-americana, a qual ficou em oitavo. Quando o dinheiro acabou, retornou aos Estados Unidos, para trabalhar como instrutor de pilotagem na Skip Barber Racing School. Foi quando sua carreira decolou novamente, graças ao apoio que recebeu de Gavin Brown, herdeiro da fábrica de uísque Jack Daniels, que colocou seu piloto na equipe que tinha montando para disputar a Can-Am em 1980. Pilotando o modelo GB1, teve como melhores resultados a segunda posição em Watkins Glen, e agora utilizando um Lola T530 outro segundo lugar em Road Atlanta, fechando a temporada na 6ª posição e com o título de Novato do Ano.

Em 1981, Sullivan retornou a Fórmula Atlantic Norte-americana, sem deixar de lado a Can-Am, onde se manteve fiel a equipe de Gavin Brown, obtendo ótimos resultados, sendo que poderia ter vencido em Chicago, caso não tivesse ficando sem combustível. A vitória finalmente veio no final do ano, após mudar de chassi, em Las Vegas terminando a temporada na 4ª colocação. Ainda participou de uma etapa da IMSA. Transferiu-se para equipe de Paul Newman em 1982 obtendo uma vitória e seis pódios, ficando em 3º lugar no campeonato da Can-Am. Novamente participou da Fórmula Atlantic e de uma etapa da IMSA. Esse também foi o ano de sua estréia na Fórmula Indy, onde recebeu o convite da Forsythe. Logo em sua primeira corrida em Atlanta, ficou em terceiro, mostrando toda a sua capacidade e demonstrando ter um grande futuro pela frente.

Chega à Fórmula 1 em 1983 para ser piloto da equipe Tyrrell, mesmo tendo completado 33 anos, surpreendendo a categoria. Seu companheiro de equipe era o italiano Michele Alboreto, que vivia uma grande fase, após vencer a última corrida de 1982 no circuito de rua em Las Vegas. Mesmo utilizando o defasado modelo 011, a Tyrrell contava com o forte patrocínio da Benetton, que naquele ano entrava para o circo da Fórmula 1. Em seu primeiro Grande Prêmio chegou na 11ª posição, graças a desclassificação de Keke Rosberg, após largar em 21º.Na corrida seguinte em Long Beach, fez um ótimo treino, aproveitando que já conhecia muito bem o traçado, conseguindo a 9ª posição do grid de largada, pena que problemas nos pneus o atrapalharam sua corrida, ficando na 8ª colocação.

Sua melhor atuação na categoria ocorreu na Corrida dos Campeões, prova extra-oficial disputada em Brands Hatch, Inglaterra, que naquele ano realizou a última edição de uma corrida extra-oficial após três anos de ausência. Parecia que nenhum piloto estava levando o evento a sério, exceto talvez o norte-americano. Antes da largada, percebendo a oportunidade de vencer, Sullivan furtivamente deu mais uma volta de aquecimento, passando com sua Tyrrell por dentro dos boxes, desrespeitando um acordo feito antes da corrida; e com pneus bem aquecidos, encontrava-se em condições para disputar a liderança com Rosberg.

Foram 40 voltas emocionantes pelo fato de Rosberg, irritadíssimo com a atitude de Sullivan, forçou em demasia os pneus traseiros desgastando-os precocemente. Rosberg assumiu a liderança na 7ª volta sempre pressionado por Sullivan. A ultrapassagem não veio, mas o excelente segundo lugar com somente 0s500 de diferença em relação ao finlandês indicava que a partir daí ele iria conseguir outros bons resultados na Fórmula 1. Isso acabou não acontecendo, ele e Alboreto passaram o restante da temporada sofrendo com a fraca performance do motor Ford aspirado em relação aos motores turbo dos concorrentes. Mesmo assim Alboreto conseguiu ótimos resultados nas corridas e treinos, largando na frente de Sullivan em treze GPs, enquanto o norte-americano só conseguiu largar acima da 20ª posição em apenas três oportunidades (9º em Long Beach, 16º em Detroit e 19º em Kyalami). Seu melhor resultado foi nas ruas de Mônaco onde conseguiu seus únicos dois pontos na Fórmula 1 ao chegar em quinto, duas voltas atrás do vencedor Rosberg, terminando o ano na 17ª colocação. Alboreto venceu a corrida de Detroit, sendo essa a última vitória da Tyrrell, e terminou o GP da Holanda em sexto lugar, terminando a temporada na 12ª posição.

No fim do ano decidiu retornar a América ao assinar um contrato com a equipe Shierson que era patrocinada pela Domino's Pizza para disputar a Fórmula Indy em 1984. Nessa temporada obteve três vitórias (Cleveland, Pocono e Sanair) e uma pole (Las Vegas) fechando o ano na 4º colocação. Foi o bastante para chamar a atenção de Roger Penske, que o convidou a dirigir para a Penske em 1985. Venceu as 500 milhas de Indianápolis e o GP de Miami obtendo duas poles (Portland e Elkhart Lake), sendo novamente o 4º colocado na classificação final. O campeonato de 1986 foi ainda melhor com vitórias em Cleveland e Meadowlands, duas poles (Cleveland e Long Beach) e a 3ª posição no geral. Nesse mesmo ano fez sua estréia na TV, fazendo uma ponta no famoso seriado Miami Vice. A temporada de 1987 foi uma grande decepção, terminado o ano com a 9ª posição e apenas dois segundos lugares como melhores resultados (Toronto e Laguna Seca) , mas no ano seguinte chega ao título da Indy com a Penske, conquistando quatro vitórias (Portland, Michigan, Nazareth e Laguna Seca) e nove poles (Long Beach, Portland, Cleveland, Toronto, Mid-Ohio, Elkhart Lake, Nazareth, Laguna Seca e Miami).

Em 1989, sua atuação foi prejudicada pelo acidente sofrido em Indianápolis quando quebrou o pulso esquerdo, ficando de fora das corridas de Portland e Cleveland. Depois venceu em Pocono e Elkhart Lake, além de uma pole (Elkhart Lake). Terminou o ano em 7º lugar. O campeonato de 1990 foi o sexto e último que disputou pela equipe Penske, encerrando a parceria em grande estilo, ao fazer a pole e vencer o GP de Laguna Seca, acabando o ano na 6º posição. Assinou com a equipe Patrick, mas como o motor Alfa Romeo não correspondeu às expectativas, sendo apenas o 11º colocado, transferiu-se para Galles Kraco em 1992 vencendo a prova de Long Beach e acabando na 7ª colocação. Conquistou sua última vitória em 1993 no GP de Detroit, no campeonato foi o 12º colocado.

Não encontrou nenhuma vaga como piloto da Indy para 1994, porém manteve-se ocupado com as duas corridas que fez pela equipe Alfa Romeo no campeonato europeu de DTM, uma etapa da Nascar e ainda a prova de Daytona da IMSA. Correu também, com um Porsche às 24 Horas de Le Mans, onde acabou em terceiro. Em 1995, retornou a Fórmula Indy para correr pela equipe PacWest, porém os resultados não vieram e sua temporada acabou depois do acidente em Michigan, quando teve sua pélvis quebrada. Após aposentar-se das corridas, foi morar na França, onde se estabeleceu na Cote d'Azur (sofisticada baía ao sul do país onde acontece o Festival de Cannes) e nos últimos anos foi escolhido para coordenar um programa de desenvolvimento, patrocinado pela Red Bull, que visa levar jovens pilotos norte-americanos para a Fórmula 1.

Histórico do Piloto
2000 - Fórmula França.
1999 - US Road Racing, etapa de Daytona.
1998 - US Road Racing, etapa de Daytona.
1997 - IMSA (etapas de Daytona e Sebring).
1996 - Oitavo lugar nas 24 Horas de Le Mans.
1995 - Equipe PacWest, 19º colocado.
1994 - Terceiro lugar nas 24 Horas de Le Mans. DTM, equipe Alfa Romeo. Nascar, equipe Chevrolet. IMSA, etapa de Daytona.
1993 - Equipe Galles, 12º colocado, 1 vitória.
1992 - Equipe Galles Kraco, 7º colocado, 1 vitória.
1991 - Equipe Patrick, 11º colocado.
1990 - Equipe Penske, 6º colocado, 2 vitórias, 4 poles.
1989 - Equipe Penske, 7º colocado, 2 vitórias, 1 pole.
1988 - Equipe Penske, campeão, 4 vitórias, 9 poles.
1987 - Equipe Penske, 9º colocado.
1986 - Equipe Penske, 3º colocado, 2 vitórias, 2 poles.
1985 - Equipe Penske, 4º colocado, 2 vitórias, 2 poles.
1984 - Equipe Shierson, 4º colocado, 3 vitórias, 1 pole.
1983 - Fórmula 1, equipe Tyrrell, 17º colocado.
1982 - Estréia na Fórmula Indy, equipe Forsythe Newman, 22º colocado. IMSA (uma etapa). Can-Am, 1 vitória. Fórmula Atlantic, 3º colocado.
1981 - IMSA (uma etapa). Can-Am, 1 vitória. Fórmula Atlantic, 4º colocado.
1980 - Can-Am, 6º colocado.
1979 - IMSA (etapas de Daytona e Sebring).
1978 - Fórmula Atlantic Neozelandesa, 4º colocado. Fórmula Atlantic, 8º colocado.
1977 - Fórmula 2, 18º colocado. World Sportscar (uma etapa).
1976 - Fórmula 2, equipe Modus M3 (uma etapa).
1975 - Fórmula 3 Inglesa, vice-campeão, 5 vitórias.
1974 - Fórmula 2 Inglesa, vice-campeão.
1972 - Fórmula Ford 1600 Inglesa.
1971 - Foi aluno da Escola de Pilotagem Jim Russell na Inglaterra.

Estatísticas na Fórmula Indy
GPs disputados: 171
Vitórias: 17
Pódios: 40
Poles: 19